Semana Santa – Santuário do Caraça

20 de março de 2018


​Estudei quatro anos no Caraça, quando menino. Tive vivências incríveis, como a adoração do Santíssimo Sacramento, na noite de Quinta para Sexta-Feira Santa. Outras surpresas eram os cantos polifônicos que ensaiávamos mais de mês. As cerimônias todas em latim, que cantávamos muitas vezes ainda sem entender tudo. O cheiro do incenso. Os carvoeiros que estavam queimando as matas do Caraça (década de 1950) e passavam a tarde na igreja, esperando a vez de se confessar.

Guardei toda a vida a alegria feliz daquelas Semanas Santas, preparadas com capricho, celebradas com gosto e beleza, frutuosas pelo tempo que levávamos rezando e prometendo mudar de comportamento, ser mais atentos nas missas, mais generosos nas confissões e mais corajosos nas penitências.

Hoje, sou eu que presido as celebrações no santuário, enquanto os outros Padres animam as Comunidades da Baixada, de Santana do Morro a Barra Feliz (e mais duas para os lados de Conceição e São Gonçalo do Rio Acima). A assembleia litúrgica, às vezes, é muito numerosa, dependendo dos hóspedes que conseguiram vagas. Se vieram para as cerimônias, participam muito atentos e com fruto. Se vieram porque conseguiram vaga nos feriados, às vezes vão ficar só passeando ou conversando e bebendo na cantina e acabam nem aparecendo na capela.

Dando um sentido muito comunitário, político, social, engajado e verdadeiramente cristão às cerimônias, temos a procissão do domingo de Ramos, que, nos nossos folhetos, às vezes aparece com motivação muito concreta: acompanhando Cristo na sua entrada em Jerusalém, fazemos uma verdadeira passeata, para marcar a presença de Deus em nossas cidades, para pedir que os valores propostos por Cristo sejam assumidos pela sociedade, pelos governantes, pelos cidadãos. E é impressionante como a multidão que, no domingo, aclamava Jesus como o Messias prometido por Deus, já na sexta-feira vai gritar, pedindo que Pilatos o mande crucificar. Chamo a atenção para as técnicas disfarçadas da manipulação e da demagogia, a força da propaganda, o perigo de ir pela cabeça dos outros. Chamo a atenção para a coragem que precisamos ter para dar testemunho de Cristo, sem recuar e trair na hora das dificuldades, em nossa vida, na família, na sociedade, para que Cristo de fato ressuscite em nosso coração, em nossos ambientes, em nossa vida.​

​Pe. Lauro Palú, C.M.

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