Tanque Grande

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tanque grande

A trilha para o Tanque Grande não chega a 2 Km. Vai-se até ele caminhando pela estrada asfaltada até a Casa da Ponte. Logo em seguida, entra-se à esquerda, por uma trilha muito fácil de ser percorrida e bem plana. Na primeira bifurcação, toma-se à direita. Mais uma pequena caminhada e se chega ao Tanque.

O Tanque Grande na voz e no coração do Padre Sarneel

“O tanque que se chama Grande por haver outro menor, o de São Luís, é o ponto de recreio mais procurado pelos turistas, poetas e sonhadores. É um lago tranquilo, rodeado de bosques silenciosos. A sua água é sempre da cor do céu. E, quando a brisa desce mais forte da serra vizinha, as suas ondas pequeninas vão levar à beira que os espera beijinhos de meiguice que morrem num melancólico murmúrio de uma grande saudade.

Tudo é melancolia no Tanque Grande. A barquinha sem vela, presa ao tronco de uma árvore raquítica, balança e geme, choramingando por um remador que a solte. O pombo solitário canta em voz plangente e monótona, escondido na mata. (…) Timidamente, em cabeçadas furtivas, os mudos e pensativos peixinhos, temendo o anzol traiçoeiro, só de quando em quando se arriscam a quebrar o espelho das águas. Tudo é melancolia no Tanque Grande.

Mas quando turmas de alunos ou grupos de romeiros o vêm visitar, o Tanque Grande deixa de ser o Grande Taciturno e torna-se o Grande Tagarela, contando histórias:

‘Outrora – sussurra ele – eu era lagoa pequenina, e água imunda, charco de sapos nojentos e rãs choronas. Um dia, no fim do século passado, chegou um padre muito alto. Olhou-me, olhou e olhou. Foi-se embora, mas logo voltou. Construiu-me aos pés um largo paredão. E abriu-me à cabeceira uma vala muito larga. Deteve o meu curso, represou as minhas águas, mas fez-me grande, profundo, bonito e limpo. Sou, desde então, açude-motorista de um engenho que, de dia, serra madeiras, e de um dínamo que ilumina, de noite, toda a casa da Senhora Mãe dos Homens. (…)

Ofereço-lhes a minha canoa para um passeio a remos. Ninguém, entretanto, se atreva a despir-se para mergulhar no meu bojo e nadar. No meu seio, redemoinham correntes e sorvedouros que já sepultaram um inocente colegial. Cuidado também, e muito, quando tiverem que andar em cima do meu paredão. Em 1904, tentou atravessá-lo o grande benfeitor da Escola Apostólica, o Visitador, Padre Dehaene. Tropeçou, coitado, e foi cair na dura pedra de um precipício de dez metros de altura. Nada lhe aconteceu. Estava acompanhado, na perigosa queda, pelos anjos do céu. Digo-lhes tudo isso, porque eu gosto muito de vocês. É tão preciosa a vida de vocês, amigos do Caraça’.

Assim tagarela o grande Taciturno. Vai escutar, vai poetar, sonhar, (…) navegar no Tanque Grande, onde tudo é melancolia – não melancolia que desalenta, mas melancolia que aumenta a saudade, não se sabe se da terra ou do céu…”

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Padre Pedro Sarneel, C.M.
Guia Sentimental do Caraça, 1953

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