Das muitas relíquias que o Santuário do Caraça teve e tem, o Padre José Tobias Joaquim Zico merece especial destaque, não só por sua vida consagrada a Deus na Congregação da Missão, mas especialmente pela grande e exigente obra que lhe foi confiada da restauração do Caraça, fechado em cinzas depois do trágico incêndio e aparentemente condenado à inutilidade devido ao fim das atividades educacionais.
Padre Tobias, o “Padre do lobo”, como era chamado e reconhecido por tantos visitantes e hóspedes que recebeu no Caraça, nasceu no dia 24 de janeiro de 1921, em Santo Antônio do Monte-MG. Seus pais, Belchior Joaquim Zico e Anita Maria da Silva, educaram-no na fé e nos bons costumes, formando-o como homem de Deus e dando-lhe condições humanas e familiares para consagrar sua vida ao Reino de Deus como Padre da Missão, como fizeram outros dois irmãos, que foram elevados ao episcopado, depois de anos de serviço missionário na Congregação da Missão: Joaquim Belchior da Silva Neto, Bispo de Luz, já falecido, e Vicente Joaquim Zico, Arcebispo emérito de Belém do Pará.
No dia 11 de setembro de 1934, entrou na Escola Apostólica do Caraça, matriculado sob o número 750, do Livro II de Matrículas. A 31 de janeiro de 1940, foi admitido na Congregação da Missão, iniciando o Seminário Interno em Petrópolis-RJ. Emitiu os votos de consagração missionária no dia 03 de março de 1942. Depois dos estudos de Filosofia e Teologia, foi ordenado Presbítero por Dom João Cavati, C.M., no dia 5 de outubro de 1945. Trabalhou no Colégio do Caraça de 1948 a 1955, quando participou da filmagem de “Caraça – Porta do Céu” (1949). Depois passou rapidamente pelo Seminário de Mariana (1955), para onde voltaria por mais 2 anos, em 1963 e 1964, após 7 anos em Fortaleza-CE (1956-1962). Em 1967, trabalhou no Seminário de Brasília e, de 1968 a 1975, foi pároco na Paróquia São José do Calafate, em Belo Horizonte-MG. Dali, voltou para o Caraça em 1976, onde trabalhou com todo afinco e disposição por 20 anos, até 1996, quando retornou, já com a saúde debilitada, para Belo Horizonte. Faleceu no dia 9 de fevereiro de 2002, sendo sepultado nas Catacumbas do Santuário do Caraça, casa em que viveu como aluno, professor e superior.
Homem de profunda fé, grande educador e formador e missionário entusiasta, destacou-se em sua vida e trabalho pela cultura humanística, zelo pastoral, espírito jovial, edificante amor à Missão vicentina e à Congregação da Missão, generosidade no serviço e dinamismo administrativo. De modo todo especial, dedicou grande amor e serviço ao Caraça, de cujas lendas, vivas ou falecidas, históricas ou criadas, torna-se agora uma das mais importantes.
Durante os 20 anos em que esteve na direção da Casa, desenvolveu significativo trabalho de manutenção e reconstrução do Caraça, tornando-o centro de peregrinação, cultura e turismo. Sua capacidade administrativa, sua alegria contagiante na acolhida dos hóspedes, sua vasta cultura e seu espírito de dedicação e de fé marcaram profundamente a vida do Caraça e seus visitantes.
Estudioso e pesquisador, escreveu valiosos livros sobre a história do Caraça e da Congregação, como “Caraça – Peregrinação, Cultura e Turismo” e “Caraça – Parque Natural e Arquivo do Colégio”, dentre outros. Em 1979, tornou-se sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Em 1996, foi eleito para a Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais.
De seus muitos feitos, cabe um destaque especial para o show do lobo guará. Foi em maio de 1982 que toda a história começou. Os lobos começaram a se aproximar do centro histórico do Caraça e, aos poucos, foram descobrindo a comida que começava a ser deixada pelo Padre Tobias, então superior. A aproximação foi tão grande que logo as emissoras de TV e demais meios de comunicação social descobriram que o Padre do Caraça estava alimentando os lobos e fazendo um verdadeiro espetáculo em frente à Igreja do antigo Colégio. Essa notícia correu tão longe e tão rápido que caravanas inteiras passaram a vir ao Caraça para apreciar o encontro do Padre com o lobo.
A figura do Padre Tobias começou a ficar tão ligada à imagem do lobo guará que todos passaram a chamá-lo de “Padre do lobo”. E, de fato, quando de sua morte em 2002, um importante jornal noticiou: “O lobo do Caraça perdeu seu melhor amigo!”.
Destacar aqui o Padre Tobias é o mínimo que poderíamos fazer, pois, sem desconsiderar o trabalho e o esforço de tantos outros Padres e Irmãos que por aqui passaram, seu trabalho logrou a “ressurreição” do Caraça e sua projeção no cenário nacional e internacional.

 

 



Santuário do Caraça - MG - (31) 3837-2698 / (31) 3837-1939
Skype: santuario.caraca1 / santuario.caraca2
pousadadocaraca@hotmail.com
Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Eduardo Almeida