
Tradição que remonta ao início do século XIX. E, mais que tradição, vidas doadas ao Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens e ao Colégio do Caraça, na alegria do serviço e na generosidade da acolhida!

Últimas Sampaias
(Na foto, da esquerda para a direita, as Sampaias com um casal amigo)
Judith Salgado * 15 de Novembro de 1911 Chegou ao Caraça em 1962 † Faleceu em 1989
Rita de Jesus Lopes * 31 de Maio de 1904 Chegou ao Caraça em 1934 † Faleceu em 1997
Virgínia Albina da Costa * 31 de Julho de 1901 Chegou ao Caraça em 1947 † Faleceu em 1984
Raimunda Emiliana de Jesus * 20 de Julho de 1902 Chegou ao Caraça em 1953 † Faleceu em 1990
Petrina Georgina de Morais * 03 de Setembro de 1923 Chegou ao Caraça em 1949 Vive atualmente em Brumal, Santa Bárbara-MG
Mais que funcionárias... Benfeitoras!
Às Sampaias muito se deve. A elas era confiado muito serviço doméstico em todo o Caraça: cozinhar, costurar, lavar, passar...
Eram verdadeiras servidoras de Deus, a quem cantavam e rezavam com indiscutível fé, e servidoras dos alunos e dos padres, a cujas necessidades estavam sempre atentas.
Moravam na chamada “Casa das Sampaias”, um pouco abaixo do Santuário, construída provavelmente por volta de 1830 e mais tarde ampliada.
A partir de 1968, com o trágico incêndio, passaram a morar no Sobradinho Afonso Pena, onde, até então, moravam as Irmãs Filhas da Caridade.
A origem das Sampaias
Diz a tradição que as primeiras Sampaias pertenciam à família Sampaio.
Antônio de Sampaio, assim como sua esposa, Joaquina Silveira dos Prazeres, era morador do Caraça e auxiliar da administração da Casa, já nos anos 30 do século XIX, quando o Colégio tinha apenas 10 anos de funcionamento.
Segundo documentos do Arquivo, Antônio Sampaio foi o responsável pelo pagamento dos trabalhadores que fizeram as estradas para receber Sua Majestade Dom Pedro I (1831).
Sete filhos do casal foram batizados no Santuário do Caraça, mesmo depois do fechamento do Colégio em 1842: Maria (1829), Maria do Carmo (1833), Joaquina (1836), José (1837), Gabriela (1840), Thereza (1842) e Emerenciana (1845).
Outro filho – João – deve ter nascido por volta de 1843, pois em 1857 ele é matriculado no Colégio do Caraça, com as seguintes observações: “filho de Joaquina dos Prazeres, viúva de Antônio Sampaio. Sobrinho das antigas Sampaias”.
O elogio do Padre Sarneel
“No Caraça, existe também um pequeno convento de irmãs leigas, sem hábito de freira e sem profissão religiosa. Ouve, romeiro, a história humilde, mas edificante das Sampaias.
No tempo do Irmão Lourenço, cada ermitão guardava, num cantinho de sua cela, um balde de madeira, no qual, às segundas-feiras, socava com um pilão e mexia com furor a roupa do corpo, já desde o sábado ensopada de sabão. Naquela época de monástico rigor, mulher alguma, sob qualquer pretexto de serviço caseiro, tinha entrada no interior da Ermida.
Depois, nos primeiros anos do Colégio, uma procissão de lavadeiras vinha, todos os sábados, de Brumal e Catas-Altas, carregando na cabeça trouxas de camisas e calças dobradinhas e limpinhas que, uma semana antes, os estudantes lhes haviam passado, amarrotadas e por vezes não menos rasgadas que manchadas. Era gente trabalhadora e boa. Gostavam do Caraça. Passavam o domingo todo, rezando na capela. “Oh, se pudéssemos ficar sempre e depois morrer na Serra dos Padres Santos!” – ciciavam entre si. O Superior, adivinhando o seu santo desejo, preparou-lhes uma casa, pertinho do Santuário, convidou-as para viverem em comunidade. Mandou vir de Bonfim duas donas de reconhecida devoção que lhes servissem de Superiora e Mestra.
Eram essas senhoras irmãs do velho Padre Sampaio. Foram elas que deram o nome e renome ao conventinho feminino do Caraça, onde todas as mulheres hoje são Sampaias.
Têm, por touca, a cabeleira que Deus lhe deu; por escapulário, o avental que suas mãos coseram; e, por claustro, a oficina ao ar livre, onde de manhã à noite, batem roupa, rezando e cantando. Duas vezes por dia, vão fazer, na capela, os seus exercícios em comum. Fria madrugada, enrolados os seus ombros em xales quentes, subindo lentamente a ladeira pedregosa e ainda obscura, ora tropeçando, ora parando, vão assistir à sua missa conventual. E, ao cair da noite, voltam ao Santuário, para, sentadas nos degraus dos altares, descansar um pouco e cismar muito, assim como Marta e Maria faziam aos pés de Jesus, quando as vinha visitar de tardezinha”.
Padre Pedro Sarneel, C.M.
Guia Sentimental do Caraça, 1953
