Normais Provinciais – Espiritualidade

VOLTAR

ESPIRITUALIDADE

11. Hoje, na América Latina e no Brasil, nós Vicentinos devemos deixar-nos interpelar, em nossa vida espiritual, pela realidade do pobre, sufocado nas malhas de um sistema opressor, injusto e excludente.

12. A exemplo de São Vicente, com a graça de Deus, buscaremos vivenciar profundamente a presença viva do Verbo Encarnado nestes irmãos excluídos e fazer deste novo encontro com o Senhor uma experiência mística, geradora de nossa espiritualidade.

13. Nesta perspectiva, integraremos como elementos inspiradores de nossa vida segundo o Espírito, isto é, de nossa espiritualidade:

1.º) Esforço contínuo de conversão para o seguimento de Jesus Cristo Libertador dos pobres.

2.º) Compromisso solidário de fé com a causa dos pobres, seus movimentos e lutas por uma libertação integral.

3.º) Aceitação lúcida e generosa dos riscos e inseguranças, dos conflitos e rupturas inerentes à nossa opção.

4.º) Docilidade à Providência na abertura ao novo, às necessidades urgentes e atuais, à luz dos sinais dos tempos, aos desafios que o Espírito suscita à nossa presença missionária na Igreja.

5.º) Alegria de filhos que aceitam partilhar da Morte do Senhor, na procura da vida para todos.

14. Para alimentar esta nossa espiritualidade, enfatizamos e explicitamos alguns pontos já contidos em nossas Constituições:

1.º) A Eucaristia, centro e ápice de toda espiritualidade cristã, será celebrada e vivida com intensidade interior, segundo o planejamento de cada Comunidade, preferentemente preparada em comum, sobretudo em certos tempos fortes e acontecimentos especiais de nossa vida interna, da Família Vicentina e da vida do Povo.

2.º) Teremos especial atenção e cuidado com nossa atualização bíblica e teológica, freqüentando cursos específicos e, sobretudo, sendo fiéis à leitura cotidiana da Palavra, refletida à luz da fé e da vida.

3.º) Seremos abertos à renovação de nossa piedade mariana, à luz da Bíblia e da reflexão teológica atual (em especial, estaremos atentos às questões de gênero),vendo em Maria a companheira de nossa caminhada, a cantora da justiça de Deus para com os pobres, a Mãe presente e solidária ao Supremo Oprimido. Nesta linha, procuraremos descobrir e recuperar, para hoje, valores libertadores em nossos exercícios e devoções tradicionais para com Maria: Rosário, Novenas, Ladainhas, Procissões, etc.

15. Todo o nosso empenho por uma pastoral e uma espiritualidade libertadora resultará vazio, se não se apoiar na efetiva aplicação à oração pessoal e comunitária. Por isso, dedicar-nos-emos, fielmente, a uma hora completa de oração diária, incluindo neste tempo a recitação, em comum, de alguma hora litúrgica, salvo o que se estabelece no Art. 45 § 3 das CC.

16. Para ativar nosso compromisso com os pobres, procuraremos celebrar o dia de nosso Batismo e de nossos Votos, tentando assimilar suas exigências em toda a nossa vida e atividades.

17. Em todas as nossas celebrações litúrgicas e sacramentais, teremos todo o empenho em explicitar para nós e para o Povo e, particularmente, para a Família Vicentina o conteúdo libertador destes gestos e acontecimentos.

18. Integraremos, em nossa espiritualidade pessoal e comunitária, todos os momentos de oração e celebrações com o Povo de Deus.