RPPN – Declaração de significância

A RPPN – Santuário do Caraça é vista pelos estudiosos como lugar excepcional, pela riqueza da biodiversidade, e exemplar, por sua organização e pela qualidade de seu acolhimento. Por isto, pode ser considerada como área prioritária de conservação.

A RPPN – Santuário do Caraça:

  • contribui para a proteção da biodiversidade;
  • contribui para a proteção de recursos hídricos nas cabeceiras do Rio Doce;
  • abriga várias espécies endêmicas e muitas ameaçadas de extinção;
  • sua área recebeu a visita dos dois Imperadores do Brasil – Dom Pedro I (1831) e Dom Pedro II (1881).
  • por seu notório valor histórico, arquitetônico e paisagístico, o Caraça foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN no ano de 1955, segundo o Processo nº 407-T, a Inscrição nº 309 no Livro Histórico e a Inscrição nº 15-A no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Além de fazer parte do rol de bens tombados pela União, a Serra do Caraça, com a Constituição mineira de 1989, foi tombada e declarada monumento natural do Estado de Minas Gerais para se preservar sua beleza cênica;
  • no Pico do Inficionado, há cavernas de quartzito, entre as quais se destaca a gruta do Centenário, a 2ª maior do mundo nesta litologia. Os condutos formam uma rede labiríntica quadrática atingindo a profundidade de – 484m de desnível e somando 3.790 m de projeção horizontal (4.710m de desenvolvimento linear). Além desta cavidade já foram exploradas outras 6 cavernas. Também há a gruta da Bocaina, 3ª mais profunda do mundo em quartzito;
  • está inserida em uma área prioritária para a conservação da biodiversidade em Minas Gerais, no Quadrilátero Ferrífero, na mais elevada categoria de importância biológica (especial), devido à alta riqueza de vertebrados, dentre outros fatores (Drummond et al. 2005)[3];
  • está citada no Mapa de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos, no Grupo Integrador II – 232. Região de Ouro Preto / Serra do Caraça (MG); – no Mapa de áreas prioritárias para a conservação de mamíferos na Mata Atlântica e Campos Sulinos, como Alta Importância Biológica. 34. Complexo Caraça / Peti (MG); – no Mapa de áreas prioritárias para a conservação de aves na Mata Atlântica e Campos Sulinos, como Muito Alta Importância Biológica – 87. Caraça / Ouro Preto (MG); – no Mapa de áreas prioritárias para a conservação de répteis e anfíbios na Mata Atlântica e Campos Sulinos, como Extrema Importância Biológica – 39. Complexo Belo Horizonte / Caraça / Itacolomi (MG) (Drummond et al. 2005 [3]; cf. também Bencke et al. 2006 [2];
  • a Reserva recebe uma média de 60.000 visitantes por ano. Trabalha para harmonizar a preservação e conservação das áreas da Reserva (respeitando os objetivos da categoria RPPN), com seu uso para atividades turísticas;
  • possui infraestrutura e recurso humano para receber os turistas. Dentre eles: Portaria de acesso; monitores para dar informações e orientação; pousada; restaurante; lanchonete; lojinha; banheiros públicos e outros;
  • tem o Programa de Incentivo à pesquisa como valioso laboratório natural. Já foram desenvolvidas 205 pesquisas científicas, por instituições de pesquisa e ensino do Brasil e de instituições estrangeiras;
  • oferece aos visitantes 40 roteiros de atrativos naturais, sendo que para 13 deles é necessário o acompanhamento do guia/condutor cadastrado na Reserva;
  • favorece a participação de escolas públicas com desconto ou isenção da taxa de visitação;
  • é reconhecida, valorizada e respeitada pela sociedade, que manifesta apoio pela sua preservação e conservação, o chamado “apelo popular”, que muitas vezes já serviu de escudo de proteção para o rico patrimônio natural, frente aos avanços de empreendimentos de pesado impacto ambiental na região;
  • tem servido de exemplo para a criação de novas RPPN’s no Brasil;
  • tem incentivado empresas de mineração da região a criarem suas RPPN’s, com o propósito de unirem-se a RPPN Santuário do Caraça, formando corredores ecológicos;
  • a Lei nº 86/2000, declarou de Utilidade Pública a Província Brasileira da Congregação da Missão – Casa do Caraça, no Município de Catas Altas/MG, pelos relevantes serviços já prestados à comunidade e pelo acervo natural, histórico, arquitetônico e turístico existente e preservado;

Com seus 12.403 hectares, a RPPN – Santuário do Caraça está inserida na região denominada Serra do Caraça, que tem área total de 31.521 hectares.

A Serra do Caraça:

  • foi visitada e considerada área de importância biológica pelos naturalistas Augusto de Saint-Hilaire, Spix, Von Martius, Langsdorff, Cogniaux, Glaziou, Sellow, Gounelle e outros, quando passaram pela região, a partir de 1816, deixando obras sobre a flora e a fauna brasileira, além de serem os responsáveis pela coleta e identificação de exemplares que hoje se encontram em museus estrangeiros.
  • é uma das mais elevadas do centro de Minas Gerais é um testemunho completo da evolução da paisagem desde a época jurássica, como L. C. KING 1956[1] demonstrou.
  • é um dos marcos geográficos mais representativos do Estado de Minas Gerais, evidenciando um conjunto de expressivo significado simbólico e múltiplos valores (paisagístico, geológico, histórico, ambiental e turístico);

Está RPPN Santuário do Caraça, no contexto do SNUC (Sistema Nacional de Unidade de Conservação), pode contribuir de forma significativa para a conservação ambiental, associada à proteção de seus recursos naturais, para o Brasil, sua sociedade e para o mundo, em razão da extensão da Reserva, da presença de fitofisionomias ímpares e habitats únicos, de sua biodiversidade, da integridade dos seus atributos e da possibilidade de se conectar a outras áreas protegidas. Tudo isto, evidentemente, aumenta a importância de sua proteção.

Estas características e uma boa gestão ambiental garantirão chances plenas de um futuro saudável da RPPN Santuário do Caraça para as gerações presentes e futuras.

[1] A geomorfologia do Brasil oriental, em Revista Brasileira de Geografia 18, nº 2, PP 147 – 265.

[2] Bencke, G. A., Maurício, G. N., Develey, P. F. & Goerck, J. M. 2006. Áreas importantes para a conservação das aves no Brasil: parte 1 – estados do domínio da Mata Atlântica. SAVE Brasil, São Paulo, Brasil, 494 pp.

[3] Drummond, G. M., Martins, C. S., Machado, A. B. M., Sebaio, F. A. & Antonini, Y. 2005. Biodiversidade em Minas Gerais: um atlas para sua conservação. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, Brasil, 222 pp