RPPN – Relevo e Geologia

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Relevo e Geologia

(Projeto Caraça I e II. Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza – FBCN)

O relevo local na área da RPPN Santuário do Caraça apresenta as características de uma região de altitude, onde formações antigas permeáveis são cortadas por cursos encaixados e leitos encachoeirados.

A área da Reserva apresenta em sua constituição geológica seis grupos de rochas, com uma predominância das formações da série Rio das Velhas.

A primeira formação e que ocupa a maior parte da área é o Quartzito Cambotas, do grupo Tamanduá, representando as áreas mais altas do Caraça. Este grupo, formado por quartzitos, areias quartzosas, xistos argilosos e itabiritos filíticos e dolomíticos aparece, sobretudo em seus fáceis quartzosos, situado entre o grupo Maquiné da Série Rio das Velhas e o grupo Caraça da Série Minas em pacotes de mais de 600m de espessura. Sua resistência físico – química aos intemperismos é responsável pelo relevo acidentado que é cortado em toda sua extensão por fraturas e dobras.

A segunda formação é o grupo Maquiné, encontrado na porção sudoeste da área. Caracteriza-se por ser constituído de conglomerados quartzosos, com interestratificações de filito, xisto e clorito, de forma geral resistentes à erosão. Na área da bacia do Felipe, estes quartzitos são cinza claro, com ocorrências sericíticas maciças e bastante metamorfizadas nas escarpas mais elevadas, sem apresentarem as falhas e dobras das outras formações.

A terceira formação encontrada é o grupo Nova Lima, que tem dois fácies: o primeiro, de rochas ferruginosas e o segundo, constituído por xistos não ferruginosos, mais antigos que o primeiro.

Este é os fácies encontrados cobrindo o sopé da serra do Caraça, com uma espessura que chega às proximidades do rio das Velhas, a 4000m. São rochas profundamente alteradas, avermelhadas, rosadas e purpúreas, tons produzidos pela presença da biotita e da clorita. Os xistos e filitos que compõem a formação têm uma granulometria fina e liberam massas de sedimentos argilosos que se misturam na acumulação nos pés de serra com o material decomposto originário das rochas vulcânicas, entremeadas em diques nas suas áreas de ocorrência. Essas características podem ser verificadas ao longo da estrada que leva ao Caraça, nas proximidades da Fazenda do Engenho, tendo seu limite superior no ponto onde a estrada ultrapassa a conta dos 900m.

Um quarto tipo de formação são as rochas intrusivas básicas, especialmente diabásico e diorito, que retalham as áreas cobertas pelo grupo Tamanduá. Apresentam – se em duas formas: a primeira são os diques com formas arredondadas e hectométricas, e os mais importantes estão localizados nas proximidades do Caraça, ao norte do Tanque Grande e na margem esquerda do alto curso do Ribeirão Caraça, ente os caminhos para o Pico da Canjerana e para a Bocaina. A segunda forma são os veios, com predominância da direção Norte- sul espelhando a existência de fraturas profundas, e que espalham por toda a área.

Os dois outros tipos de rochas encontrados, que ocupam áreas muito pequenas, são os veios de xistos ferríferos e os aluviões quaternários do baixo Vale do Ribeirão Caraça, ambos na parte norte da Reserva.

Do ponto de vista dos movimentos tectônicos, a área é extremamente fragmentada, apresentando alguns belos exemplos de anticlinais e sinclinais (na área da Canjerana e na direção do Pico do Sol), e um enorme número de espelhos de falha na Serra do Caraça, do Piçarrão e ao longo do Vale do Córrego do Engenho, na direção do Alto do Sumaré.

Segundo Barbosa Rodrigues (1967), o maciço do Caraça destaca-se na carta topográfica como um conjunto de fortes escarpamentos de orientação irregular. Mas os maiores desnivelamentos estão voltados para SE, com diferenças de nível superiores a 1.000m. Do topo do maciço (2000m) ao sopé do escarpamento voltado para Água Quente, à distância registrada é de apenas 1,5km, enquanto o desnivelamento é de 1.100m. Para NW as altitudes começam a diminuir sem um rompimento do declive tão acentuado como no caso anterior.

As formas de relevo bem marcadas e pontiagudas, originárias de movimentos tectônicos e seguindo linhas de falhas, tornam-se mais alternadas e arredondadas quando se atinge as rochas metamórficas e o filito da série Minas, geralmente nas altitudes abaixo de 900m.

O mapa de declividade é um bom indicador da fragilidade de toda a área em relação aos processos erosivos, sobretudo quando é retirada a cobertura vegetal original. Há predominância das áreas com declividade superior a 50%, que cobrem 41 % da área total, e as áreas com declividade entre 20 e 50 % abrangem 20,5% do total. Estas duas classes, que são limitantes quanto á utilização agrícola, perfazem 61,5%.

Os pontos mais altos da área são:

Pico do Sol: 2.072m de altitude

Pico do Inficionado: 2.068m de altitude

Pico da Carapuça: 1.955m de altitude

Pico da Trindade: 1.675m de altitude

Pico da Canjerana: 1.890m de altitude

Pico da Conceição: 1.800m de altitude

Pico da Verruguinha: 1650m de altitude.