​“Palavra” do Caraça: Abrindo o torneio​

28 de dezembro de 2017


Como Diretor do Caraça, cabe-me dar as boas-vindas a todos os participantes do 3º TORNEIO DE XADREZ no Caraça. Meninos e meninas, adolescentes e mesmo jovens, depois de visitarem o Caraça em excursões de seus Colégios, um pouco mais crescidos ou já adultos de fato, casados e pais de família, voltam ao nosso Santuário, carregando uma dupla sensação: rever aquele lugar, o ambiente que os fascinou, querendo reviver as alegrias e sensações daquela visita, da viagem, das trilhas, dos namoros e das frustrações, e, ao mesmo tempo, sentindo que podem e devem alargar suas lembranças, enriquecer a experiência anterior com grandes andanças, novas aventuras, gente bacana que se conhece, lugares ainda não visitados, quando crianças e inexperientes. Creio que o mesmo acontece com os participantes dos torneios anteriores, que sonham com nova sorte, outras técnicas, adversários menos sabidos ou mais desafiadores, conquistas sonhadas, treinadas, aprendidas, memorizadas lance por lance (se os concorrentes ou adversários forem na direção do que preparamos, se caírem na armadilha que lhes armaremos…).

O apoio do Caraça aos torneios de xadrez não é uma exceção ou uma violência; – muito pelo contrário. É com o maior gosto que se abrem as portas, se facilitam horários e hospedagem, lanches e lances, especialmente quando se nota que o crescimento havido foi saudável, fruto da organização anterior, da simpatia do acolhimento, da alegria das vitórias e do sabor especialíssimo que tem a esperança, nessas horas, nessas lutas… Começando de pouco, o torneio já chega aos dois dias, em breve será internacional, concorrendo com os eventos similares de outros países, de hotéis e pousadas chiques, badaladas e fatídicas, com aquelas histórias de arrepiar…

É claro que alguns nomes são mágicos, como Cancún, São Petersburgo, Évora, Gramado, Brasília, São Tomé das Letras, Medellín, Trás-os-Montes, Málaga, Budapeste, Las Vegas e mais mil e mil sonhos irrealizáveis! O Caraça não concorre com futilidades ou aparências, é um mundo intocado de belezas, de sentidos alertas, de alma tendida ao máximo no esforço de acontecer e ser feliz. Os organizadores ainda porão no rol dos prêmios o nosso pôr de sol, as neblinas, os pássaros cantores, os bichos enormes dentro de casa, a ausência de baratas e de pernilongos, verdadeiramente, uma antessala do paraíso…

As paredes recordarão os antigos jogadores, dos tempos do Colégio imperial e do Seminário, as alegrias, a decepção, a surpresa, a emoção das partidas, as soluções e os soluços das crianças e dos adolescentes, o incentivo dos grandes para fazer crescerem os pequenos, essas coisas bonitas que florescem espontaneamente num torneio, entre gente saudável, amigável, admirável, inesquecível.
Quanto coisa bonita nasce dos desafios, das alegrias, da surpresa, do comedimento, do estudo, da memória, da intuição fulminante, da distração lamentável…

Em todos estes adjetivos, nestas fantasias, espero que se reconheçam e se definam os participantes, os heróis, os abnegados, os pés-duros de raça, sentindo-se todos recebidos como amigos, como de casa. Nenhuma elevação do espírito, nenhuma vitória ou conquista humana estará algum dia deslocada no Caraça. Bom proveito a todos, boa sorte, método, segurança pessoal, aquele ar das alturas, que estufa o peito e aclara os olhos, campeões e admiradores.

Tudo isto resumido numa única palavra sincera: VOLTEM!​

​Padre Lauro Palú, C. M.​

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