Calendário 2018

28 de dezembro de 2017


Da riquíssima biodiversidade do CARAÇA, foram selecionadas plantas e flores, para levar a nossos visitantes e hóspedes as promessas de um ano realmente novo, feito do nosso esforço pessoal, da colaboração dos irmãos e amigos, dos lutadores incansáveis e de quem nem sabe que está mudando o mundo, mas trabalha e canta e ri, e vive, sobretudo isto, VIVE! A terceira força que nos traz um ANO NOVO é a graça de Deus, o principal no esforço do viver humano. Debaixo dessa sequência de Fibonacci, quanta coisa boa se esconde! FELIZ 2018.

JANEIRO

Para o começo de um ano feliz, solidário e rico, nada melhor que esta foto de uma caliandra vermelha (Calliandratweedii). Estes conjuntos de flores, abertos ao sol, bem que nos lembram os fogos de artifício da passagem do ano. Como nos foguetes, a flor tem sua beleza externa, aberta gloriosazinha, frágil como o foguete. Dura mais que os foguetes, mais que um dia. Que a floração no seu coração dure o que um ano: 365 dias! É a beleza interna das plantas e do nosso coração.

FEVEREIRO

O arbusto (Schefflerasp.) parece uma explosão, um fogo de artifício. Mas não é brilho que acaba em segundos, é vida que vai durar anos e anos. O começo do ano, as férias que terminam, os planos que fazemos, os desafios que venceremos, os frutos e sucessos, a variedade das conquistas, o ânimo para novas empreitadas, tudo isto esta planta nos inspira e estimula. A vida é lá na frente, não no passado. A planta sabe que nasce no chão e dele, nasce para o ar livre e os ventos, tal como nós!

MARÇO

Esta íris é a princesinha dos jardins (Neomaricacaerulea). Ela e suas irmãs estão sempre atentas e ao sinal todas florescem no mesmo dia, de manhã. Uma das delícias da vida é chegar antes que se abram e observar como as pétalas vão se arredondando, abrindo-se o botão, mas ainda pegadas umas às outras as pétalas. Solta-se uma das três pétalas e se estende na luz. A segunda, também na luz da manhã. E a terceira pétala, na claridade total. Despregam-se sozinhas, atendendo ao sinal.

ABRIL

Quando vejo algum dos funcionários terminando a reforma de um quarto, de um vão de escada, do que for, sempre lhes digo: ‘Eu vou morar é aqui’. E o mesmo eu sinto e faço quando vejo as abelhas na flor da abóbora, no copo de leite, na orquídea, no furo que fazem os saguis no tronco das árvores de seiva mais abundante. E então não será só morar ali, mas viver no ritmo dos ventos, na bênção das chuvas, na gula dos pássaros das amoras, das pitangas, dos figos, das uvas.

MAIO

Sobre o muro da senzala, crescem despreocupadas as trepadeiras, como a desse azul tão claro incrivelmente vindo do passado, um azul tímido mas consciente, que nasce do branco e se liberta aos poucos, se afirma como um filho que cresce sonhando estradas e encruzilhadas, como aluno que lê o mesmo manual do mestre. Em matéria de bom gosto, ainda está por nascer uma flor sem jeito, uma paisagem falha, uma cor que não diga o que a planta é e para que está no mundo.

JUNHO

Ladeando o asfalto, uma fila de Agave americana está toda em flor. A cada ramo de flores, chegam aos bandos abelhas de todo tipo, de ouro, azuis metálicas, abelhinhas quase transparentes, e todas sob o signo da urgência. Há flores para todas, há pólen para todos, mas já vêm chegando os passarinhos, a saí-andorinha, a saí-azul, a saíra-douradinha, a cambacica, um mundo delas. Alimento não falta, porque Deus fez o mundo para quem busca e sonha e vive e espera e acha.

JULHO

Nos bosques, nas beiras das matas mais fechadas, uma nesga de céu se abre, baixa o raio de sol sobre esta planta extraordinária, em latim Bomareaedulis, em português cará-de-caboclo, cará-do-mato, bico-de-nambu. Pela inserção das folhas numa só face do pequeno caule muito volúvel, pouco a pouco se define essa espiral, essa coroa, esse galanteio dirigido à vida… Coroa, colar, diadema, uma homenagem à Natureza, um hino ao seu Criador. Viva à vida, viva o que vive!

AGOSTO

Saindo do mato para atravessar as margens de pedra, nos Tabuões, como no centro da paisagem nova, a primeira beleza é uma touceira de flores roxas, um maço firme de canelas-de-ema, em pleno      ritual de comemoração. Se é difícil fotografar um passarinho, um coelho, as borboletas, porque correm, voam, desaparecem num segundo, já com as plantas não há este problema, exceto nas ventanias, nas chuvas brutas. As velloziáceas fizeram pose, não?

SETEMBRO

As jabuticabeiras não sabem mais o que fazer para atrair mais gente… A floração é um excesso: são milhões de flores pequeniníssimas querendo um beijo do sol, as cócegas de uma abelha, o canto de um passarinho esperançoso. As abelhas ficam loucas, querendo polinizar cada flor. Depois vêm os botõezinhos das frutas, as milagrosas jabuticabas que Deus inventou só para o Brasil. Depois, vem o vinho, propriamente o fermentado de jabuticabas, delícia dos turistas (se os jacus deixam alguma…).

OUTUBRO

Nome popular: Capim-estrela, estrelinha ou tiririca-branca. Nome científico Rhynchospora nervosa, é considerada como daminha, pois investe nas pastagens, nos campos limpos. O que parece uma flor alva são pedaços do capim, que dão firmeza aos caulezinhos finos. Como outras plantas, as sementes começam a germinar no próprio invólucro das flores pequeninas. Quando crescem, pesam e fazem inclinar-se o talo germinado, que desce até o chão, onde se enraízam e recomeçam sua saga.

NOVEMBRO

Quem diz gervão, não dá ideia da singela beleza simplesinha destas flores. Também a chamam gervão-azul. E é com seu azul delicado que o gervão atrai insetos e muitas aves, especialmente o beija-flor-de-gravata-verde, o Augastesscutatus, uma das joias da natureza caracense. O equilíbrio da natureza depende de plantas e animais que se ajudam especificamente: cactos e morcegos, beija-flor e orquídea. Quando se destrói o alimento, podem desaparecer muitas espécies animais.

DEZEMBRO

Anônima no chão, à beira do caminho, esta flor é o fino do bom-gosto (Macroptiliumerythroloma). Para ser bonita, não precisa de mais nada, ela apenas é. O ano que passamos juntos, imersos na rica diversidade caracense, foi feito de pequenas alegrias, de ajudas no momento oportuno, de silêncios bem-acompanhados, de surpresas e rotinas, de tudo aquilo que faz de nossa vida um canto ao grande Deus e nosso Pai. Um ano que passou rápido, e outro que chega, carregado de presentes.

Chuva e sol, nuvens altas, seca infeliz, chuvas no tempo justo, passarada nas fruteiras, crianças gritando na rua e no quintal, quietinhas na escola e quando dormem… Um ano inteiro passou (voando!), chega outro Ano Novo, 2019. Trabalhos na indústria, varrer o chão, sanear os costumes públicos, alimentar a esperança e as esperanças, um tempo para o violão, para a reza, para a visita aos amigos, para brincar com as crianças, para saborear o presente e confiar no futuro. E ESTA PLANTA (Actinocephaluspolyanthus), COMO UM FOGO DE ARTIFÍCIO CHAMANDO A FELICIDADE!

Padre Lauro Palú

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