Sua navegação: Página Inicial >Turismo > Visitas Imperiais > A Visita de Dom Pedro II ao Caraça


Sua Majestade Dom Pedro II esteve no Caraça de 11 a 13 de abril de 1881, por ocasião de uma viagem pela Província de Minas. A comitiva imperial saiu do Rio de Janeiro no dia 26 de março, viajando de trem até Barbacena, de onde a viagem devia seguir a cavalo até Ouro Preto. No dia 2 de abril, começaram uma viagem de 15 dias contornando a Serra do Caraça: Cachoeira do Campo, Sabará, Caeté, Caraça, Catas Altas, Mariana e novamente Ouro Preto.
Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina chegaram ao Colégio do Caraça no dia 11 já ao anoitecer. Neste dia, o Imperador, segundo seu Diário, contemplou a construção do templo neogótico, que muito apreciou, conversou com o Padre Superior, Padre Clavelin, e com vários outros professores.

No dia seguinte, 12, como demonstração de seriedade e dedicação aos estudos, os mais de 300 alunos do Colégio não tiveram “sueto”, isto é, descanso com suspensão das atividades, que ocorria em homenagem a algumas visitas que a Casa recebia.

Como tinha muito interesse pela história e pela fama do Colégio, Dom Pedro II fez questão de passar em todas as salas de aula e arguir alguns alunos, para verificar seus conhecimentos. Foi numa dessas arguições que houve o incidente com o Padre Chanavat, professor de Direito Canônico, sobre a questão do Placet.

Enquanto os alunos estudavam, o Imperador também aproveitou para conhecer a Casa e suas acomodações, a Biblioteca e a oficina do Padre Luis Gonzaga Boavida, onde pôde contemplar a construção do órgão.
À noite, houve uma sessão solene, dentro da igreja ainda em construção. Ao Imperador foram dirigidos discursos em 9 línguas, aos quais Sua Majestade respondeu na língua em que foi saudado. Depois houve apresentação de poesias, homenagem à Imperatriz e execução de músicas pela banda do Colégio.

No dia 13, logo pela manhã, Dom Pedro II e sua imperial comitiva desceram a Serra, em direção a Catas Altas.

Antes, porém, de sua partida, Sua Majestade deixou para o Caraça a importância de 500$000 de esmola para as obras da igreja, com a qual foi comprado o vitral central. Deixou também 400$000 para serem distribuídos aos pobres de São João do Morro Grande (hoje, Barão do Cocais).

Além dessas doações, prometeu enviar um pintor para registrar em uma tela a beleza do Caraça, como ficou anotado no livro de crônicas da Casa: “Sua Majestade o Imperador, achando-se no adro da igreja, desenhou, por seu próprio punho, a lápis, as montanhas que ficam de frente à casa, tomando-lhe cuidadosamente todos os nomes. (...) Prometera S. M. mandar da corte um pintor para tirar-lhe a vista da formosa cascata, que, em seus encantos, o maravilhara no caminho, como também a da casa e das serranias que a rodeiam, como lembrança de sua visita”.
Como forma de gratidão, o Caraça ofereceu ao Imperador seu mais antigo livro: Crônica de Eusébio, de 1483, atualmente na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.



Tela pintada a pedido de Dom Pedro II por George Grimm - 1885

 



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