Como uma verdadeira colônia de férias, o Santuário do Caraça abrigou praticamente 100 hóspedes a cada dia, sendo que muitos por aqui ficaram semanas inteiras, como o Padre Lauro Palú, presença certa em todo dezembro e janeiro. Esse número, sempre elevado neste período, aponta para um 2010 com muitas visitas e hospedagem, como foi 2009, no qual recebemos 64800 visitantes e 17900 hóspedes.
Números tão significativos como esses mostram que nosso Caraça continua historicamente sua missão de Santuário religioso, ecológico e cultural, um lugar de encontro com Deus, consigo e com os irmãos e irmãs, lugar de reestruturação da vida, de retomada de valores e de aquisição de novos horizontes existenciais.
Ademais, nossa alegria foi grande devido à "Piracema" dos ex-alunos que completaram em 2010 aniversário jubilar de sua chegada ao Caraça. Recebemos aqui, no último final de semana, os ex-alunos de 1950 e 1960, numa bonita e alegre festa, cheia da sadia nostalgia caracense e da sempre fecunda amizade que a todos uniu nesta célebre Escola Apostólica.

Esperamos que, neste novo ano, todos os que aqui vierem seja profundamente abençoados por Deus, guardados em sua proteção e amparados em suas vidas e em seus empreendimentos. E que todos possam fazer a experiência de ouvir a Deus, se ouvir e ouvir o silêncio caracense, silêncio restaurador e transformador de vidas, como aparece tão bem expresso na poesia que se segue, deixada a nós por um jovem como lembrança da visita ao Caraça.

CARAÇA
Wagner Passos – Itanhandu-MG – 30/01/10
I
A noite é silêncio bruto que não se deve lapidar…
Aqui, ali, acolá
O Caraça dorme e se fecham-nos os olhos
Para outros se abrirem em melhor olhar.
Nos desvãos miúdos, a ninar
Que as matas nos propõem ocultar
Palpitam rincões efervescentes do natural
Seja ele lobo, jaguatirica ou coral
Que cobra, de seu igual-rival
O espaço feito, em si, seminal
De um berço singular
E que agora
Em boa hora
A lua cheia vem banhar.
No Caraça é bem fácil ver; se ver; se olhar...
Nesta madrugada, o difícil é enxergar...
Mas a noite é mesmo silêncio bruto que não se deve lapidar...
II
Aqui é mais difícil enxergar:
O minúsculo recôndito
O perplexo centímetro
O trêmulo centígrado
O irrequieto atômico
O calado a caçar.
Sim, agora é mais fácil se ver do que enxergar...
À noite, o santuário transpira arisca claridade
O mistério cintilante no ar
Uma luminosidade invisível
A natalidade do silêncio indizível
Na pauta pausada do firmamento-harmonia
De uma transcrita sinfonia
Regida pela maestrina lunar.
Esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
O improviso educado dos insetos
O respiro brando dos humanos
E o sino da igreja marcando
O compasso amplo e inalterável do Criador.
Sim, esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
III
Já tocam as doze badaladas
Toco eu agora a meia-noite, clamo-a
E, assim, vem densa dama faceira
Ler, por sobre meus ombros, primeira
Estas palavras que tento rimar.
O Caraça me embala de vida...
Se Deus é um amplo e profundo silêncio
Palavras podem-me errar
Portanto, para manter este frágil quebradiço sereno
Detenho-me agora, inteiriço pequeno
Na precisão do canto agudo de se calar.
Afinal, a noite é mesmo um silêncio divino-bruto que não se deve lapidar...