Outras Áreas Protegidas

A RPPN Santuário do Caraça, estando inserida em uma região prioritária para a conservação, encontra-se contemplada com o reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no ano de 1955, onde passou a fazer parte do rol de bens tombados pela União, segundo Processo nº 407-T, Inscrição nº 309 no Livro Histórico e Inscrição nº 15-A no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

A RPPNSC dista a 30 km em linha reta do Parque Estadual Pico do Itacolomi, que tem em sua zona de amortecimento uma inclinação em direção à RPPN.

Ao sul da RPPNSC, precisamente ao lado do Pico do Inficionado, existe a RPPN Horta da Alegria, conforme descrição abaixo:

RPPN Horto da Alegria
Município: Mariana Estado: Minas Gerais
Proprietário: Vale S/A.
Órgão Responsável: Instituto Estadual de Floresta (IEF)
Área: 1.064,00 hectares* (Fonte: IEF / Site da Fundação João Pinheiro)
Bioma: Mata Atlântica
Portaria: 138 Data: 24/06/2008
Data da Averbação: 07/06/2010

Nota: Fica citado a fonte para esclarecer que está divulgado no link  http://www.reservasparticulares.org.br/pesquisar/ e no livro Quadrilátero Ferrífero: biodiversidade protegida (ver em referências bibliográficas), que a área total da RPPN Horto da Alegria é 3.661,84 hectares.

Ao oeste da RPPNSC, na divisa com a área do Capivari / Caraça, existe a RPPN Capivari, conforme descrição abaixo:

RPPN Capivari
Municípios: Santa Bárbara e Itabirito Estado: Minas Gerais
Proprietário: Vale S/A.
Órgão Responsável: Instituto Estadual de Floresta (IEF)
Área: 2.500,00 hectares
Bioma: Mata Atlântica / Cerrado
Em análise no Instituto Estadual de Floresta (IEF), desde 2007.
Portaria: 33 Data: 26/02/2012
Data da Averbação: 26/02/2012

Ao leste da RPPNSC, precisamente na direção do Pico da Carapuça ao Pico do Sol, existe a RPPN Quebra Ossos, conforme descrição abaixo:

RPPN Quebra Ossos
Município: Santa Bárbara Estado: Minas Gerais
Proprietário: Célio Edson Alves de Azevedo Júnior.
Órgão Responsável: Instituto Estadual de Floresta (IEF)
Área: 7.00,00 hectares
Bioma: Mata Atlântica
Portaria: 37 Data: 20/03/2006
Data da Averbação: 11/05/2006

Além dessas RPPN’s, em área vizinha da RPPN Santuário do Caraça, existe uma proposta de criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela (PNSG), feita pelo Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área de estudo localiza-se no Estado de Minas Gerais, na Serra do Espinhaço, mais especificamente no Quadrilátero Ferrífero, abrangendo partes dos municípios de Caeté, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Barão de Cocais, Itabirito, Ouro Preto e Santa Bárbara. Apesar de estar localizada muito próxima à Região Metropolitana de Belo Horizonte (os quatro primeiros municípios fazem parte da RMBH), a área apresenta baixa ocupação humana, havendo extensos e diversos ambientes naturais muito bem preservados e apresentando feições de relevo de excepcional beleza, notáveis também sob o ponto de vista geomorfológico.

Na criação oficial do Parque Nacional da Serra do Gandarela, vai se conectar à RPPNSC (Figura 22).

Figura 22. Mapa com a proposta de criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela conectando à RPPN Santuário do Caraça (linha lilas).

Atualmente, existe uma discução muito séria entre criar o PNSG ou permitir a implantação e operação do Projeto Apolo – exploração do mineração de ferro na região da Serra do Gandarela.

Caso seja aprovado o Projeto Apolo, a possibilidade de oficializar um corredor ecológico na região será mínima, visto que na prática, a gestão da Área de Proteção Ambiental ao Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA Sul RMBH), não impede a instalação de empreendimentos de significativo impacto ambiental na região e a categoria de RPPN não impede a aproximação desses empreendimentos impactantes.

Diante de várias ações em defesa da conservação da Serra do Caraça, e precisamente da RPPN Santuário do Caraça, e cientes do modelo de gestão de uma APA, a Reserva encontra-se inserida em uma região cobiçada pela exploração do ouro, minério de ferro, bauxita e outros minerais de valor no mercado internacional.

A valorização exorbitante de minerais para abastecer o mercado de consumo da humanidade moderna, faz com que a região vivencie situações de conflitos entre o preservar e o minerar, ou seja, a extração dos recursos naturais não-renováveis, a descaracterização da paisagem da região, além da perda de biodiversidade local e peculiar do rebaixamento do lençol freático e também da mudança na cultura local.

Por causa da presença de minerais na região, existe um Projeto em análise na UNESCO, para aprovar a criação do Geopark Quadrilátero Ferrífero, onde a RPPN Santuário do Caraça está inserida na proposta, como Geosítio Caraça.

Para a UNESCO, criadora do conceito, o geoparque consiste em um território com limites definidos que apresente sítios geológicos de especial valor científico. Além da significância geológica, um geoparque deve apresentar também valores ecológicos, arqueológicos, históricos ou culturais inseridos em um processo de desenvolvimento sustentável que fomente projetos educacionais e de valorização do patrimônio cultural local. Entre as atividades compatíveis com a proteção do patrimônio geológico a UNESCO destaca o geoturismo.

O Geopark do Quadrilátero Ferrífero conta com sítios geológicos representativos da história geológica da região, associada à evolução global da Terra, e da história da mineração do ouro e do ferro no Brasil. A seleção dos sítios foi baseada nas recomendações do SIGEP (Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos).

Alguns destes sítios possuem infraestrutura turística e são abertos à visitação, como é o caso da RPPN Santuário do Caraça.

Mais informações:

www.geoparkquadrilatero.org.br