A Educação Caracense

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Pelo Colégio do Caraça passaram quase 11000 alunos, dos quais muitos tiveram seus nomes reconhecidos no cenário nacional, político, civil e religioso: em média 500 padres, 21 bispos, 120 políticos, dos quais dois Presidentes da República: Afonso Pena (1906-1909) e Artur Bernardes (1922-1926), magistrados, médicos, engenheiros, cientistas, professores universitários, etc.

Segundo Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), o sistema de ensino do Caraça era “admirável código de educação, um modelo de verdadeiro humanismo pedagógico, em que a autoridade harmoniosamente se combina com a personalidade e a suavidade”. De fato, como lugar de ensino humanístico, o Colégio sempre se esmerou pela excelência acadêmica (o que contrastava radicalmente com a decadência da educação primária no país, o que forçava os abastados a estudarem na Europa), coerência e seriedade pedagógica dos professores, séria disciplina (muitas vezes, por demais rígida), absoluta pontualidade e cadência ritualística dos dias e das atividades.

No período áureo francês (fim do século XIX), no Caraça, unido ao curso de Teologia e Filosofia do Seminário Maior de Mariana, estudavam-se 25 matérias. Um ritmo verdadeiramente universitário, visto que os meninos, neste período, ficavam internos em média sete anos!

No século XX, os meninos continuavam chegando ao Caraça por volta dos 10-11 anos, mas ficavam menos tempo que no período francês. O curso de humanidades do Colégio, agora equiparado ao Ginásio Nacional, pelo Decreto 3701, era de apenas cinco anos. E nele se estudavam, com algumas variações: Religião, Português, Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Universal, Latim, Grego, Francês, Inglês, Matemática, Aritmética, Geografia, Cosmografia, História Natural, Ciências (Física e Química), História do Brasil e Universal, Desenho e Caligrafia.

O objetivo dos estudos era o conhecimento detalhado, quanto possível aprofundado, do tema versado. O método era a explicação antecipada pelo professor da matéria da aula seguinte, que era revista antes da respectiva aula pelo próprio aluno, na hora do estudo pessoal. Eram duas aulas pela manhã e duas pela tarde, todas precedidas por seus estudos, além do estudo noturno, para as tarefas e exercícios passados pelos professores. Exames orais e questionamentos sobre as matérias eram feitos periodicamente, além do exercício de leitura, para o qual se aproveitavam os momentos de refeição. Ademais, eram freqüentes os campeonatos de literatura e os torneios temáticos. Tudo isso, aliado a grande disciplina, possibilitava aos alunos um sério estudo e uma excelente aquisição de conhecimentos. Indisciplina, “colas”, maus hábitos escolares, brigas e preguiça não eram bem vistos pelos professores e eram inaceitáveis no esquema educacional caracense.

A leitura de notas mensal ou semestral era também um grande fator de incentivo ao estudo. Tal acontecimento se dava no salão de estudos, na presença de todos os alunos e de todos os professores. E com júbilo eram saudados aqueles que tiravam 9 e 10!

De modo especial, cabe ressaltar o aproveitamento do tempo como um dos pontos mais marcantes e fundamentais do Colégio do Caraça. O tempo empregado no estudo pessoal, na leitura e nas aulas completava quase toda a jornada diária. Acolhendo o estudo como sagrado e único motivo pelo qual subiram a Serra, os alunos aplicavam-se, guiados pelo exemplo e pela direção dos Padres professores, com assiduidade à aquisição do conhecimento e com rígida e fecunda disciplina à organização de suas vidas.

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